Saudade daquilo que não vivi, ainda!

Seu corpo está em repouso demais. Ele agora sente saudade da correria efervescente das ruas, do trabalho. Mas, então você trabalha demais. Ele agora sente saudade da calmaria de um repouso. E assim sou eu, que repouso depois de voar por aí. Meio de semana é só trabalho. Culpa de Adão que comeu o fruto e nos condenou a viver do suor do nosso rosto. Pelo menos ele tinha uma Eva, eu só tenho o suor no rosto. Saudade dos amigos. Acho que vou vê-los esse final de semana. Da última vez que nos vimos, foi legal. Mas sempre tem a parte em que todos vão para as suas casas. Aquele barulho de vozes e sorrisos vai diminuindo e agora eu volto ao meu lar. Mas há uma saudade que ainda não foi pra casa, aliás, desconfio que mora aqui em mim. Essa saudade é como a pomba no dilúvio, onde não encontra lugar pra fazer seu ninho, e sempre volta pro meu peito. Mas, eu sei onde ela gostaria de estar: nos braços de outro alguém, que eu ainda nem conheço. O engraçado é que este alguém está em algum lugar agora (espero que já tenha nascido), e talvez esteja no seu trabalho agora, tendo um dia péssimo, com o chefe no seu pé cobrando os serviços da semana passada. Talvez essa garota esteja pensando: “nossa, eu ainda tenho que chegar em casa e fazer o trabalho da faculdade”. Talvez tenha um cara afim dela, que ela não tá muito afim, mas talvez dê uma chance a ele pra ver se dá certo os dois juntos. Talvez não. Mas, com certeza, ela nem sonha que, neste exato momento, eu estou escrevendo isto pra ela, e, sem que ela saiba, e sem eu pedir permissão, eu a estou envolvendo em meus planos.

Elber Vidal

Achada em sua graça, lugar que me faço feliz. Quando olho em seus olhos, sei quem realmente sou. Que as palavras aqui escritas, encontre repouso em seu coração! Não curto café, nem mimimi!