Quase trinta!

Um texto bem particular sobre como me sinto com quase trinta anos. Sim, quase trinta — embora todos digam que pareço ter no máximo, vinte e dois.

Encaro o viver como algo bem louco. Veja se não é! Nascemos com a certeza da morte, não nos acostumamos com essa ideia e então partimos a viver loucamente. Alguns chegam a viver muitos anos, outras pessoas nem tanto. E o interessante é que descobri há um certo tempo que o ‘homem’ foi feito para viver até os setenta anos, outros mais fortes, até os oitenta, mas, quanto mais longos forem os anos, mais aflitos e enfadados seremos. (Salmos 90:10)

Sempre arquitetei a minha vida toda e em cada idade planejava estar em uma fase diferente e quer saber? Nada aconteceu do jeito que eu quis. Já tive tantas crises por causa disso, quem nunca? Medo de envelhecer, de não casar, de não ter filhos, de viver sozinha, de nunca ver um sonho realizado, de não ser mãe, disso e daquilo. Enfim, medo de tantas coisas, que só de pensar eu fico louca.

Confesso a você que o futuro ainda me amedronta, afinal a ansiedade vive batendo em minha porta. Mas graças a Deus descobrir algo que tem me sustentado: a fé.

Ainda não sou formada, porém, deveria ser — se eu não tivesse abandonado o curso de administração na metade do caminho. Não tenho namorado, casa própria e nem mesmo um automóvel. Nem carteira de motorista eu tenho. Tudo isso seria motivo de vergonha e de constrangimento, mas digo a você que não é. Pelo menos para mim. E tudo bem começar a ponderar essas coisas agora, afinal antes tarde do que nunca.

É claro que me preocupo com tudo isso e lógico que me arrependo de ter deixado o tempo passar para perceber que tudo isso se faz importante, mas infelizmente não posso mudar o passado. Talvez nem queira. Aprendi bastante em alguns momentos específicos e como no filme questão de tempo, eu poderia mudar toda a minha vida ao tentar consertar erros passados, ou pior, deixaria de conhecer pessoas fantásticas que passaram por mim.

Fazer aniversário não era algo que eu gostava, mas hoje em dia eu amo. Amo porque descobri a beleza de poder encerrar ciclos com saúde e ao lado das pessoas que estimo. Tem coisa mais fantástica? Lhe respondo que não! Considero a data do meu nascimento o marco de um novo ciclo, uma nova chance para que eu possa me recriar, oportunidades de viver, de fazer diferente.

A vida é um sopro (Salmo 144:4) e se pararmos para ficar pensando na morte ou na nossa idade que se arrasta, não viveremos de forma abundante! Não se engane, eu não quero dizer que tenho tudo que gostaria. Mas, sim, que eu tenho aprendido a viver com aquilo que possuo e a lutar pelo que preciso.

É bem clichê, mas fazer o que? É a verdade.

Tenho sido grata por tudo que já colhi e aprendido a esperar com paciência o que já foi plantado. Aprendi a plantar também. Tenho sonhado mais, mas com sabedoria, entrego tudo a Deus.

As minhas amigas de infância têm a mesma idade que eu e algumas delas hoje, realizam sonhos que traçamos juntas. Olhando para elas, sinto muito orgulho, pois, cada uma, a sua maneira, tornaram-se mulheres extremamente interessantes, fortes, com objetivos alcançados e vários por alcançar. Agora mesmo, acabo de ser tia de Anna Cecília, a filha da minha primeira amiga na vida. As amigas que chegaram durante o percurso, são tudo mais nova do que eu, e da mesma forma que elas aprendem comigo eu aprendo com elas. Isso é reciprocidade.

Ter medo de envelhecer é temer a nossa finitude.

Sim, somos finitos aqui, mas se levarmos em consideração que aqui não é o nosso lugar, então saberemos que somos de fato infinitos. Filhos de um Pai eterno, herdeiros em Cristo de uma vida que não tem fim.

E tem mais, por que eu iria me preocupar? Por que eu iria viver com medo? Se eu sei que meu Deus é por mim e que há uma paz que supera cada lágrima? Porque se ele cuida do pardal, imagina de mim, de nós! Só me resta nessa idade e em todas as outras que Ele me conceder, agradecer!

Cristã. Estudante de psicologia, amiga e sonhadora. Inquieta e tagarela. Amante dos cachos, apaixonada por vírgulas. Posso dizer que amo estar envolvida nas questões sociais e fazer novas amizades. Sempre aberta ao diálogo e a dar conselhos sobre os mais diversos temas. Amo escrever e por isso criei o blog. Um sonho: ter um livro publicado! Quer conversar? Chama nas redes sociais ou no email, será muito legal bater um papo com você.