Quanto tempo faz que não te vejo!

(…) Quanto tempo faz que não te vejo, não converso com você, não sinto o seu abraço não é?!
Lembro-me ainda dos papéis que rabiscava tentando escrever coisas que sentia e pensava sobre Ti. Você sempre estava sentadinho do meu lado me observando falar, pensar, apagar e escrever de novo. Às vezes eu me cansava e debruçada sobre os inúmeros rascunhos adormecia.
Hoje o sono tem me ganhado muito mais facilmente, os barulhos e os silêncios também.
Era tudo tão mais fácil e simples.
Não esqueço as noites em que com os olhos marejados de lágrimas eu me olhava no espelho como se tentasse te enxergar dentro de mim, sem saber que na verdade era essa mesmo a sua morada, o meu interior. Naquela época a minha pouca estatura não determinava a distância entre mim e você. As minhas palavras para aquele espelho eram na verdade uma história que estava começando a ser escrita por seu dedo e externada por minha voz.
Essa descrição de “porto seguro”, inconscientemente, foi a que sempre atribui a Ti, mesmo quando eu não tinha consciência disso. E o mais engraçado é que era pra esse porto que eu sempre corria quando algo doía ou a vida sorria.
Como você é especial ein?! Engraçado também!
Posso te imaginar aqui sentado comigo agora me vendo escrever de novo sobre a gente e pensando “Ela nem poderia imaginar que esse dia iria chegar”, e eu confesso que amo as suas surpresas!!
…Ainda não sei os seus planos, mas quero voltar a viver a época dos rabiscos, porque era por meio deles que eu, mesmo tão pequena, me conhecia em você.

Máilika Pinheiro

Formada em Segurança do Trabalho. Apaixonada por livros e seus cheiros. De vez em quando arrisca escrever umas cartas pra o Dono de tudo porque está se descobrindo filha Dele. Adora distribuir abraços e sorrisos e sonha com o dia em que o mundo será inundado de amor.