Os textos que desisti de enviar – Parte 1

Parte nº 1 – Medo da solidão

Capítulo 1 – E de repente acabou.

“Não vai adiantar!”

Essas foram as palavras que não paravam de ressoar em minha mente por algumas horas. Não conseguia acreditar no que estava vivendo. Sete anos de relacionamento para acabar com um olhar distante e indiferente. Não me lembro de nenhum motivo, aparentemente justo, que explicasse o nosso término. Éramos um casal feliz, tínhamos feito promessas e sonhávamos em nos casar. Mas em questão de minutos, tudo desmoronou.

Sendo bem sincera, há uns três meses tudo já não era tão igual. Não conversávamos direito, parecia que cada um seguia a sua vida, e adquirimos uma mania idiota de aprender a se conformar com as coisas. Não existia mais química e fingir fazia parte da nossa máscara.

Como todo inicio de relacionamento o nosso não foi diferente. Sempre recheado de expectativas, de vontades e dúvidas. Passamos muito sufoco e tivemos algumas brigas exageradas, mas superamos com maestria o nosso primeiro ano. Concluímos com a certeza de que era isso que queríamos para sempre. Nada poderia destruir o nosso amor.

Os anos foram passando e cada vez mais nos jogávamos de corpo e alma, nos entregávamos sem reservas. Pelo menos eu me entreguei demais. Todas as minhas expectativas estavam nele e no amor que ele dizia sentir por mim. Não existiam mais “meus planos”, “minhas vontades”, tudo estava emaranhado. Porém, todo laço começava agora a se transformar em nó. E o lado mais fraco da corda pendia para não cair e bater tão forte.

E mesmo sabendo que relacionamentos podem chegar ao fim, não acreditava que esse fim existiria para mim. Não me conformava viver aquele desfecho. Mas, inevitavelmente, alguns começos têm fins e eles chegam para quase todas as pessoas em algum momento.

Quando o fim vem, uma dor insuportável nos invade. A dor é forte, mas no inicio um fiozinho de esperança ainda acalenta nosso coração. Por vezes, senti que os minutos da minha vida estavam passando e eu me encontrava sete anos atrasada. Sete anos estacionada sob um mesmo ponto. Era impossível não me senti assim.

E se quer saber, terminar não era, nem de longe, a pior parte. Aceitar que acabou, era sim, o meu maior e verdadeiro desafio. Ter que enfrentar a mim mesma no espelho e lutar contra sentimentos de rejeição. Buscar forças e procurar abrir os olhos, acreditando que talvez as coisas não ficassem assim para sempre. Tentar driblar a desesperança e superar a sensação de perda, de desistência, era o que mais doía dentro de mim.

E eu perdi as contas de quantas vezes insisti enquanto meu coração pedia amparo. Avancei quando devia ter recuado. Persisti ao invés de ter me distanciado. Precisei esgotar as possibilidades, para saber que mesmo que eu desse tudo de mim nada mais adiantaria. Aceitar que perdi me deixava inconsolável. Não perdi somente uma pessoa. Perdi uma história, perdi a minha vida. E por mais que eu lutasse contra esses pensamentos, era assim que eu me sentia.

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Cristã. Estudante de psicologia, amiga e sonhadora. Inquieta e tagarela. Amante dos cachos, apaixonada por vírgulas. Posso dizer que amo estar envolvida nas questões sociais e fazer novas amizades. Sempre aberta ao diálogo e a dar conselhos sobre os mais diversos temas. Amo escrever e por isso criei o blog. Um sonho: ter um livro publicado! Quer conversar? Chama nas redes sociais ou no email, será muito legal bater um papo com você.