Os textos que desisti de enviar – Parte 1

Parte nº 1 – Medo da solidão

Capítulo 5 – Sobre a carta que você me enviou.

Não soube o que pensar quando peguei a sua carta para ler. Confesso que imaginei ser mais uma carta de amor onde você declarava sua paixão por mim e os seus planos para o nosso futuro. Mas fui surpreendida com algumas palavras não tão amigáveis. E lógico que estranhei a maneira como a carta chegou a minhas mãos, pois tão covardemente você simplesmente a colocou por debaixo da porta.

No inicio imaginei ser uma brincadeira sem graça, afinal, no mundo existe algumas pessoas que não podem ver ninguém feliz, que logo arranja uma maneira de acabar com essa felicidade. Mas depois de alguns anos e algumas cartas, com certeza saberia identificar a sua letra. A forma como ela estava escrita me fez tremer e temer pelo pior. Li e reli mil vezes. Muitas vezes, até poder entender que você estava terminando comigo. Nunca pensei que alguém pudesse romper através de uma carta. Mas você fez isso.

O que estava escrito revelou a mim quem você era. As suas palavras destroçaram meu coração, fizeram com que eu me sentisse tão insignificante, tão burra. E a cada vez que eu relia, uma lágrima brotava em meus olhos, era impossível crer que aquilo fosse real.

Essa carta não poderia ter sido escrita pelo mesmo alguém que me escreveu por diversas vezes, longas cartas de amor. Lembro-me da última, nela estava escrito que você não conseguia enxergar sua vida sem ser ao meu lado e, que tinha medo que eu não enxergasse a mesma coisa. Que irônico, acredito que a sua visão estava embasada.

No final da sua carta dizia que não era para eu lhe responder e nem ao menos lhe procurar, pois você estava saindo da minha vida de uma vez por todas e não queria mais contato. Fiquei confusa quanto a isso. Cheguei a pensar, por um momento, que eu tivesse sido a pior pessoa do mundo enquanto nos relacionávamos, mas logo mudei esse pensamento, pois havia uma nota dizendo que toda a culpa era sua, e que, eu havia sido uma pessoa maravilhosa. Cara, não faz isso comigo.

Antes você tivesse me deixado pensar que eu fui tão horrível a ponto de você não querer ver a minha cara nunca mais. Por que vamos ser sinceros, que motivo que leva alguém a sair da vida de outra pessoa dessa forma? O que leva alguém a abandonar uma pessoa, sem dar maiores detalhes? Será que você não pensou em tudo o que passaria pela minha cabeça? Não, você não deve ter pensado. Agora eu enxergo como você foi egoísta.

Você foi embora sem me dizer o porquê e eu fiquei aqui, me culpando pelos erros que eu nem sei se cometi. Ainda procuro entender quais foram os motivos que te levaram a desistir, mas quanto mais eu penso, mais dói. Você abriu feridas que ardem e que fazem meu corpo perecer como se eu estivesse dentro de uma fogueira esperando o momento em que viro cinzas.

Quando me dei conta de que tinha sido abandonada por razões as quais, eu desconhecia, me senti a pior pessoa do mundo. Eu abri a minha vida, a minha alma, e de repente, você acabou com todas as possibilidades. Você disse que eu não sentiria a sua falta, porém eu sinto todos os dias. E você nem imagina com que intensidade. Uma mínima explicação que fosse, teria amenizado os sintomas. Faria com que meu coração tivesse o refrigério necessário para aliviar as dores causadas por cada palavra lida.

Mas acho que aprendi, de uma vez por todas, uma lição. Hoje sei que ninguém vai ser, perfeitamente, como idealizamos. Ninguém é, realmente, como se mostra ser. Logo você, me machucou, me destruiu. E depois de tudo o que vivemos teve a coragem e a audácia de sair de fininho. Fechando as cortinas e encerrando o espetáculo, enquanto eu ainda pensava que fosse ter um novo ato.

E eu ainda não consigo me acostumar com toda essa troca de sentimentos, onde um dia ama e no outro não mais. Mas eu sei que vai passar, pois afinal nenhum inverno dura para sempre.

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Achada em sua graça, lugar que me faço feliz. Quando olho em seus olhos, sei quem realmente sou. Que as palavras aqui escritas, encontre repouso em seu coração! Não curto café, nem mimimi!