Os textos que desisti de enviar – Parte 1

Parte nº 1 – Medo da solidão

Capítulo 4 – O amor ainda existe em mim, confesso.

Hoje foi um dia daqueles em que você acorda e tudo o que mais quer é ficar na cama, porém precisa levantar e encarar a vida. Existem contas para pagar e o seu chefe não vai depositar seu salário sem que você faça alguma coisa. O sol resolveu não aparecer. Assim, ele até apareceu, só que bem tímido deixando o dia nebuloso e cinza. E eu preciso confessar que, dias assim, me levam ao pessimismo e ao desânimo.

O tempo que fico na cama é suficiente para me fazer lembrar a sensação do seu toque em meu corpo, o gosto do seu beijo e a forma como o seu olhar podia ver tudo dentro em mim. O seu sorriso ainda é tudo o que eu preciso para estar bem, mas infelizmente, estas coisas não estão mais ao meu alcance.

Tudo o que restou são lembranças de todas às vezes que você me tocou, de todas as vezes que você sorriu e me fez feliz por alguns segundos. Hoje vivo tão angustiada, quase sem respirar, esperando ansiosamente pela volta de alguém que não me quer mais. Por vezes, me perguntei se isso que eu sentia por você era de fato amor, e sim, é amor, eu confesso. Mas eu te juro que queria entender, de qualquer jeito, que tipo de sentimento é esse que arranca o sol do meu mundo e me faz ser uma prisioneira sua. Que tipo de amor é esse que me deixou sem chão e totalmente depende de você? Que amor é esse que atormenta a minha consciência me fazendo questionar tudo por dentro?

Sua partida tão de repente fez com que minhas noites nunca mais tivessem estrelas. Hoje vivo em um breu eterno. Sou apenas saudades, apenas um vazio do que você deixou de preencher aqui dentro. E eu deveria crescer; sim, crescer, ou talvez, retornar ao que eu era antes de você. Mas me faltam forças. Minha cabeça não consegue organizar as ideias, porque até mesmo um ato involuntário do meu corpo, como quando eu respiro, me faz lembrar você.

É incrível saber que você não se importa. Se bem que isso me faz ter inveja, pois eu gostaria de olhar em seus olhos e ainda assim sentir paz. E eu me pergunto: como que esses mesmos olhos conseguem me olhar e não mais me desejar? Dentro de mim tudo ainda deseja você como se fosse a primeira vez.

E eu sei que já devia estar acostumada com a sua ausência e entender de vez que você se foi, entender que já não existe “nós”. Entretanto, eu ainda estou me acostumando a me acostumar com isso. Estou me acostumando com essa nova fase e nem tudo tem sido tão bem. E por favor, não me cobre muito. Afinal, você me prometeu o pra sempre.

Foram anos de aproximação e agora esse afastamento. E muitos chegam a mim dizendo que preciso curar meu coração com outro relacionamento, que preciso encontrar logo outra pessoa.  Sei que eles querem me ajudar, pois dizem que para curar um amor, só um novo amor. Só que eles esquecem que amores não se encontram em todas as esquinas. Boas histórias precisam de tempo para serem construídas. E, sinceramente, eu não sei brincar de amor.

Não existe fórmula quando o assunto é esquecer alguém. A melhor opção ainda, é esperar! Porque o tempo abre espaço para acondicionar as tristezas. Acondiciona-las entre a solidão e a saudade, pra que tudo se transforme em novas alegrias.

“Caso queira compartilhar o conteúdo, bem como imagens, textos, projetos ou postagens deste site, redirecione um link para este blog o apontando como fonte original.
— Todos os direitos autorais deste site e da autora são reservados e estão protegidos por lei.”
© 2017 – Vanessa Pérola. Todos os direitos reservados.

Cristã. Estudante de psicologia, amiga e sonhadora. Inquieta e tagarela. Amante dos cachos, apaixonada por vírgulas. Posso dizer que amo estar envolvida nas questões sociais e fazer novas amizades. Sempre aberta ao diálogo e a dar conselhos sobre os mais diversos temas. Amo escrever e por isso criei o blog. Um sonho: ter um livro publicado! Quer conversar? Chama nas redes sociais ou no email, será muito legal bater um papo com você.