Os textos que desisti de enviar – Parte 1

Parte nº 1 – Medo da solidão

Capítulo 2 – Desculpa, mas eu não sei se ainda te amo.

Deixe-me contar uma coisa: pessoas são mais volúveis do que podemos imaginar. Essa é uma realidade. E agora, cada vez mais eu tenho certeza disso.

Estávamos comemorando nosso aniversário de namoro, na verdade, ele veio até a minha casa e íamos ter aquele mesmo programa bobo e melódico de sempre. Até que do nada iniciamos uma briga, daquelas bem feias e sem motivos aparentes. Pelo que eu me lembre, nunca havíamos tido uma briga antes. Discussões pequenas sobre um querer o café e o outro querer achocolatado eram constantes, mas tudo acabava em incontáveis beijos e juras de amor.

Recordo-me dele saindo pelo portão sem nem olhar para trás, e da fúria que subia pelo meu peito e invadia os meus pensamentos. Eu sabia que ele demoraria a chegar a sua casa, mas mesmo assim corri e lhe enviei uma mensagem no Whatsapp. Queria que ele soubesse o quanto eu tinha ficado magoada com a sua falta de empatia pelo o que eu lhe acabara de contar.

Porém as coisas estavam mais complicadas do que eu imaginava.

Passamos a madrugada toda brigando e discutindo. Tentando encontrar quem realmente estava errado e, então, chegamos ao ponto crucial, ao clímax da conversa. E a frase que eu mais temia foi dita, meio que sem querer, mas com um sentimento enorme de “há muito tempo eu precisava dizer isso”. Meio que silabicamente ele pronunciou: acredito que o melhor para nós dois seja o… Não o deixei concluir a frase. Nesse momento, lágrimas percorriam todo o meu rosto e um filme passava pela minha cabeça.

Marcamos para terminar aquela conversa em outro lugar, em outro momento. Estava certa de que tudo mudaria e o fim não seria mais tão tenebroso como o da noite anterior. Só que eu estava enganada. Dessa vez ele não silabou, mas disse claramente as palavras “desculpa, mas eu não sei se ainda te amo.”. Como assim? Ainda ontem éramos dois apaixonados, fazíamos juras e defendíamos o que sentíamos com unhas e dentes. Como tudo pôde ter se complicado sem eu nem perceber. Não existiam registros em minha mente que me fizesse perceber que o nosso amor havia saído do trilho.

Fiquei sem saber o que fazer. Meu mundo de repente ficou sem chão e a única reação que eu conseguia expressar se derramava pelo meu rosto em forma de lágrimas.

Só quem já passou por isso sabe o quanto é duro, ouvir da pessoa que você ama e quer construir a sua vida, que ela não tem mais certeza do que sente. Se é que de fato, um dia ela sentiu. E é nesse momento que teu peito aperta, você sente bem forte a angústia deixando o coração tão pequeno e a dúvida tão grande. A inferioridade nos invade e começamos a apontar em nós os possíveis defeitos que nos fizeram chegar ao fim.

E embora saibamos que o outro foi uma fraude, que ele que fingiu sentir algo que não era verdade, que foi ele quem empurrou com a barriga, ainda assim, insistimos em colocar a responsabilidade somente em nós. Insistimos em levar o fardo e a culpa sozinhos, pois acreditamos verdadeiramente que somos o erro. Acreditamos que se tivéssemos feito de outra forma, tudo seria diferente. Levadas pela dor do rompimento, nos esquecemos de que não podemos, nem se quiséssemos, segurar a corda sozinha.

Imaginar a minha vida sem o outro me desalinhou, pois desde que começamos a namorar em nenhum momento eu cheguei a pensar nessa possibilidade. E quem pensa nisso enquanto desenvolve um relacionamento? Quem pensa que vai dar errado? Quem pensa que vai chegar um momento onde teremos que soltar a mão e caminhar sozinhos? Não é assim que se começa, muito menos, se progride em uma relação.

Hoje eu queria saber tudo. Ter todas as respostas, mas eu não tenho. Mas vou continuar tentando entender e, honestamente, vou continuar fingindo que está tudo bem, mesmo estando com meu coração em pedaços. Vou fingir ser inteira, mesmo estando em partes. Continuarei sentindo a sua falta, isso eu garanto. Falta do que fomos e não conseguiremos mais ser.

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Achada em sua graça, lugar que me faço feliz. Quando olho em seus olhos, sei quem realmente sou. Que as palavras aqui escritas, encontre repouso em seu coração! Não curto café, nem mimimi!