Eu não estou sozinha

Eram 3h da manhã. Eu tinha acabado de acordar. Como num susto rapidamente levantei a cabeça do travesseiro. Estava toda suada, e o coração pulsando tão forte que era possível ouvir as suas batidas nitidamente. Um tormento me acometeu. Uma sensação de morte. Não podia acreditar, mas estava vivendo tudo outra vez. Sentei na cama e tentei respirar pausadamente, enquanto os meus pensamentos corriam numa velocidade absurda que eu mal conseguia acompanhar. Inspirei. Expirei. Nada aconteceu. O peso da morte ainda estava sobre mim. Fechei os olhos tentando lembrar algo que trouxesse a minha paz. Impossível. No momento de grande confusão o que você menos consegue é pensar. Tentei mais uma vez e então o coração pulsou mais forte. Podia sentir o desespero se aproximando, sorrateiramente. Para completar, as vozes em minha alma começaram a querer ganhar espaço e, mesmo eu não permitindo, elas falavam tão alto e me impediam de ouvir qualquer outra voz. Um grito seco em minha garganta e lágrimas de dor em meus olhos. Como foi que cheguei aqui novamente. Como foi que me deixei abater pelo caminho e me entrelaçar nos laços da angústia e medo? Eu não aceito! Eram as palavras que saiam dos meus lábios naquele momento. Apertava os olhos com tanta força ao ponto da retina doer. A vontade era de me teletransportar para um lugar seguro. Já que não tinha domínio sobre mim, silenciei a voz, pois a alma nesse momento gritava ainda mais alto. Uma lembrança. Um versículo. Falava de esperança, trazer de volta, algo assim. Outro versículo. Dessa vez falava da paz que excede todo entendimento e que não vem de mim, vem dEle. Agora um sussurro. Outra voz. Mansa. Calma. Não de medo, mas de fé. Não de angustia, mas de paz. Não de preocupação, mas de certeza. De repente uma frase. Tu és meu filho e eu sempre estou aqui. Outra lágrima. Não de medo. Mas de acalento. Não sentia o meu corpo na cama, era como se eu estivesse flutuando. Na verdade era como se eu estivesse em um colo. De fato. O coração foi diminuindo o ritmo. As vozes começaram a se esvair. Mas, uma permanecia. Tu és meu filho, eu estou contigo todos os dias. Você está no meu colo, o que pode te acontecer? Solucei. O coração se acalmou. Um afago, uma história e um balanço. Tudo se normalizando e então escuto Sua voz mais uma vez. Você ainda é uma criança, a minha criança. Você já aprendeu que andar sozinha não é bom e, que não é possível levar todo esse fardo. Lembra que todo peso eu já levei por você? Nesse momento deixo um sorriso e vem-me uma lembrança. Ele me ama. E então, Ele colocou-me para dormir.

Vanessa Pérola

Cristã. Estudante de psicologia, amiga e sonhadora. Inquieta e tagarela. Amante dos cachos, apaixonada por vírgulas. Posso dizer que amo estar envolvida nas questões sociais e fazer novas amizades. Sempre aberta ao diálogo e a dar conselhos sobre os mais diversos temas. Amo escrever e por isso criei o blog. Um sonho: ter um livro publicado! Quer conversar? Chama nas redes sociais ou no email, será muito legal bater um papo com você.