Eu encontrei Aquele que fez a diferença em mim.

Encontro-me sentada na varanda da casa de minha avó, que é de frente a uma praça grande e extremamente bonita. Entretanto, apenas três coisas me chamam a atenção: as estrelas, os carros que passam e algumas pessoas sentadas nos bancos.

Por causa do posicionamento da varanda, consigo ter uma visão privilegiada de todo o céu estrelado. E chega a ser assustador como as estrelas aparentam ser mais vívidas e em maior quantidade vistas daqui. Talvez, essa possa ter sido a primeira vez em que eu tenha reparado de fato no céu. No quanto essas luzes parecem harmoniosas, na forma como elas desenham a eternidade e nos fazem pensar no amor do criador. Outro pensamento que me ocorre é de que as estrelas parecem estáticas, no entanto, elas se movimentam lentamente, até trocam de lugar; aos poucos param de brilhar e desaparecem. Elas nos oferecem toda uma dança sincronizada, ficam em constante movimento, porém a nossa agitação não nos permite essa observação. Esses pequenos astros me remetem a tranquilidade, sossego, calmaria e paz.

Em contraste com as estrelas, temos os carros. Eles estão sempre velozes, apressados e, ao que tudo indica, agoniados. Mesmo diante de uma paisagem tão encantadora como a da praça em questão — tão cheia de árvores, flores, coloridos, crianças, jardins, entre tantas outras coisas — eles não conseguem parar e contemplar toda a beleza da criação. E não somente isso, eles ainda conseguem alterar o ambiente. A cada carro que passa é levantada uma poeira capaz de fazer com que as pessoas que estão ao redor também não consigam enxergar. Fazendo com que toda beleza permaneça ofuscada e que as pessoas se envolvam na agitação e ansiedade ali presentes.

E, por falar nas pessoas, é impossível não notar o quanto elas estão cansadas, tristes e muitas se mostram debilitadas. Contudo, duas moças em especial me chamam a atenção. Uma é morena, aparentemente alta, cabelo longo, magra e abatida. Seu olhar é vago e solitário, meio de canto como se quisesse evitar algum tipo de contato. Suas mãos trêmulas e inquietas apertam com força o banco em que está sentada. A sua confusão me incomoda bastante e logo começo a imaginar sobre o que ela estaria pensando. É estranho, mas é como se eu soubesse o que ela sente. Provavelmente ela sinta falta de amigos ou de um amor. Talvez, esteja apenas concentrada nas feridas abertas ou quem sabe no vazio que a sufoca. Não sei, há muitas possibilidades. De repente, ela me olha e eu tento acenar, mas, vagarosamente, ela desvia o olhar, ficando claro, então, que ela não quer proximidade. E isso faz com que eu volte o meu olhar para a outra moça que não para de chorar.

Algumas horas antes ela tinha discutido com alguém e, pelo que pareceu, era o seu namorado. Ele disse coisas horríveis a ela, que simplesmente abaixou a cabeça e permitiu que as lágrimas, de maneira tímida, escorressem pelo seu rosto. Ao ficar sozinha, não conseguiu conter o choro e desabou. Se eu pudesse ter um minuto de conversa com ela eu lhe diria: “Sabe moça, tudo bem chorar. Não há nada de errado nisso. Só presta um pouco mais de atenção no real motivo do seu choro. Amor sem reciprocidade, respeito e atenção não é válido. E muitas vezes temos que deixar partir tudo aquilo que não vai mais servir ou que nos causa dor. Sei que aí dentro deve estar uma bagunça danada. E, quer saber? Você não tem culpa alguma por sentir demais. Só precisa aprender a sentir pela pessoa certa. Se me permite um último conselho, seja paciente. Procure não apressar o amor, nem despertá-lo antes da hora, pois, se assim fizer, vai se livrar de grandes encrencas. Não tenha medo de amar novamente só porque essa sua aventura não deu certo. Há algo melhor mais à frente, se você souber esperar com paciência”.

Depois de muito tempo observando cada pessoa individualmente, cada situação, cada estrela e sua formosura, eu precisei entrar. O vento começou a bater de forma forte e fria no portão. Sinto, então, a minha pele esfriar e essa sensação térmica faz com que os meus pensamentos congelem e divaguem. Torno-me indiferente. Mas ao entrar, deitar e repousar a cabeça no travesseiro percebo o quanto minha vida assemelhava-se com tudo isso. O quanto já existiu daquelas meninas e da agitação dos carros em mim. A apatia pela vida, a insegurança, a falta de amor próprio, o medo, a ansiedade, a inquietação, a agonia e a eterna dúvida de qual seria a razão de existir.

Nesse momento fecho os olhos, respiro fundo e agradeço. Porque eu encontrei Aquele que fez a diferença em mim. Que me levou para o lugar seguro onde eu posso encontrar amor e alento. Onde a correria desse mundo não me atropela e o medo não me sufoca. Minhas vontades não me dominam e a angústia é dissipada. É nEle que encontro paz e a resposta que eu tanto procurava nos homens. Foi Ele que me fez entender que o fato de existir em nada tem a ver com a minha vida, mas sobre o que Ele pode fazer através de mim.

Cristã. Estudante de psicologia, amiga e sonhadora. Inquieta e tagarela. Amante dos cachos, apaixonada por vírgulas. Posso dizer que amo estar envolvida nas questões sociais e fazer novas amizades. Sempre aberta ao diálogo e a dar conselhos sobre os mais diversos temas. Amo escrever e por isso criei o blog. Um sonho: ter um livro publicado! Quer conversar? Chama nas redes sociais ou no email, será muito legal bater um papo com você.

  • Nossa, que lindo. incrível como uma simples chegadinha na janela/varanda pode ter tanta coisa. Essa moça podia ser eu, podia ser vc, podia ter perdido o emprego, ter recebido uma nota de falecimento, brigado com alguém, ou estar cansada, afinal todos nós choramos, temos esses momentos de fraqueza e o mais importante é saber de verdade de quem nos quer bem. Sou muito grata por acreditar que Ele existe e nos quer bem, por saber que mesmo nos piores momentos da vida Ele está aqui, mesmo que ninguém mais queira (isso fez lembrar a música Noites Traiçoeiras rs)
    Tudo de bom pra vc minha linda
    Beijos

    • Verdade Pri… podia ser qlqr coisa! Mas o que me faz continuar é que não importa o que seja, Ele sempre está lá!