Confrontos

Hoje quando eu acordei percebi que tinha algo que me prendia na cama e isso acabava não permitindo que eu vivesse. Não eram os problemas, mas exatamente a falta deles. Deve ser estranho para você ler isso, mas é realmente o que eu quero dizer. Tenho existido de forma apática. Sem muitos interesses, responsabilidades, contato físico com as pessoas, com o mundo. Passei a vida evitando confrontos, pois tinha sofrido demais em tempos atrás. Então como num estalo eu comecei a enxergar a minha realidade. Os confrontos em si não existiam. A cobrança alheia, os prazos, a correria lá fora, a gritaria desse mundo maluco, nada disso fazia parte de mim. Mas só agora percebi que ter me afastado também não me fez bem. Alguns psicólogos sociais acreditam que o homem, pra se tornar indivíduo, precisa ter contato com outro homem. Socializar, interagir, comunicar-se. E essa é uma verdade. Precisamos ser afiados todos os dias, pois, sem o outro, como que meu caráter pode ser moldado? Sem o outro, como posso aprender aquilo que é certo ou o que é errado? Muitas vezes a convivência dói, mas é ela também que nos faz ser fortes. Sermos resilientes. E também eu não preciso conviver com todo mundo que me machuca, pois ainda existem pessoas que valem a pena. Existem conversas que precisam acontecer, abraços que precisam ser trocados, beijos que precisam ser dados, almas que precisam ser tocadas e ligadas através do amor. Portanto, eu pensei bem: “Preciso mesmo ficar trancada, indiferente a tudo e a todos? Preciso mesmo evitar os confrontos?”. Não, eu não preciso. O que eu preciso é saber viver. Saber que a cada desconforto eu posso aprender algo que me fortaleça. Afinal a vida é uma só, e por mais que isso seja clichê, é a mais pura verdade. E qual legado eu irei deixar, se eu não me permitir? Pense nisso e permita-se.

Vanessa Pérola

Achada em sua graça, lugar que me faço feliz. Quando olho em seus olhos, sei quem realmente sou. Que as palavras aqui escritas, encontre repouso em seu coração! Não curto café, nem mimimi!