A vida costuma ser engraçada com quem ama sozinho

Eu queria enjoar de você, de sentir tudo isso o que eu sinto ao seu respeito. Disseram-me uma vez que o contrário de amor não é o ódio, como muitos pensam. O contrário do amor é a indiferença. E faz sentido, porque o ódio nada mais é que um sentimento de profunda antipatia, desgosto, aversão, raiva, rancor profundo, horror, inimizade ou repulsa e só conseguimos sentir ódio quando ainda nos importamos com determinada situação ou pessoa. Já a indiferença é a falta de interesse, de atenção, de cuidado, de consideração, descaso, desdém. É você não se importar, não ligar se o outro já tem alguém.

Seria bom apagar você da minha memória como se fosse um texto qualquer cheio de erro e que foi escrito a lápis. Mas, a questão é que a gente não pode simplesmente passar uma borracha e apagar aquilo que ficou errado. Não dá para trancafiar o passado e enterrá-lo no mais profundo buraco, nem mesmo formatar o coração sem direito a backup. Porque não é assim que funciona. Não é só: “eu quero esquecer e pronto” ou “vou deixar de amar e acabou”. Questões que envolvem sentimentos demandam tempo e temos que saber esperar o momento certo.

E a vida costuma ser engraçada com quem ama sozinho. Não espera o tempo necessário, ela apenas continua. Ela não quer saber se o alguém que você ama se foi, se vai voltar, ou se ainda tem interesse. A vida só quer que você continue, porque não dá para esperar você se consertar para poder seguir em frente. E, se você não se levanta, ela te deixa para trás. É nessas horas que o conselho “seja forte” começa a fazer sentido. Porque não dá para ficar sendo pisoteada o tempo todo.

E por um tempo, não adianta fugir dessa dor de estar sem ele e nem disfarçar essa sensação estúpida de que, embora ele não seja a melhor pessoa do mundo, tudo o que eu mais queria era estar em seus braços. E por falar em abraço, como eu queria enjoar disso também. Dos beijos, do seu cheiro, enjoar do seu sorriso e daqueles olhos pequenos e apertados.

Mas o amor é assim mesmo, faz com que a gente aposte todas as fichas sem a certeza de que vai dar certo, sem a certeza de que vai ficar tudo bem, sem a certeza do pra sempre.

Bem, não posso negar que com esse término eu aprendi algumas coisas e uma delas é que a felicidade não tem nada a ver se eu estou com outra pessoa. O que é realmente importante é estar feliz com você mesmo. Encontrar ou ter alguém é importante, mas, se esse alguém se vai, precisamos seguir adiante. Afinal, não dá pra ser infeliz para o resto da vida. Não dá pra condicionar, atrelar quem eu sou a outra pessoa. E outra coisa que ainda estou aprendendo é saber lidar com tudo isso, ser franca comigo mesma, me conhecer de verdade e assim estabelecer os meus limites. Esse amor se foi, outro vai chegar — que não demore, mas que venha no momento certo — e eu preciso estar inteira, porque não dá pra ser metade novamente, não dá pra deixar que me fragmentem ou que ditem como eu tenho que me sentir. A partir de hoje, mesmo sofrendo, eu escolho sorrir.

Vanessa Pérola

Achada em sua graça, lugar que me faço feliz. Quando olho em seus olhos, sei quem realmente sou. Que as palavras aqui escritas, encontre repouso em seu coração! Não curto café, nem mimimi!